Algumas Poesias


Oculto

Eu queria gritar
Quando a chuva caísse
Quando só restasse dor
Quando o vazio fosse meu único abraço

Mas os ventos do norte tocam meus olhos
E fazem-me ver que meus caminhos sem você perdem a direção
E o abismo é meu único fenecer

Quando anjos caíssem
Quando não houvesse mais ilusão
E se abrissem as portas da percepção
Eu queria gritar

Acordar os demônios que habitam em meu coração
E libertar minha falta de compaixão
E dizer que te amo, sem emoção

Eu queria gritar
Perder meus passos
Mesmo que minhas veias tivessem que sangrar
E eu tivesse que ajoelhar

Mas consigo apenas assistir as lágrimas
Caírem sobre meu rosto,
Mas insisto em momentos de náuseas

E, sem destino, despedaço o nada com palavras cheias de silêncio


18/09/2007


Poema morto

Ainda, às vezes, vejo seu sorriso
Nas paredes, quando estou na escuridão

Ando inquieto
Necessitando de lendas, camuflando meu lado mais nobre, tentando aceitar o fim

Talvez o anjo do apocalipse, guarde em seu leito, um lugar para meu descanso
Onde poderei respirar por um instante

As ruas gritam seu nome, os fantasmas de sua alma

Quanto tempo suportarei tudo isso?!?!

Um poema morto, uma ilusão
transferem meu espirito cansado

Mantenho-me consciente...
Esperando um momento ao seu lado,
Um minuto de sua vida

Sigo em frente...
Buscando um alívio, um fim de tarde
Nos cantos de minha mente,
No palácio de minha memória

Eu queria ter um anjo...
Eu queria um anjo do inferno...
Eu queria ter você

21/02/2007

Édipo Rei ( O de pés inchado )

A libertinagem por deuses enviada
A profecia de Apolo confirmada
A derramar o sangue inocente

Laio não mais retornará, ó cidadãos de Tebas
Permitam a consumação da santa heresia
Édipo, o filho abandonado, está em regresso

O
sofrimento o espera
No trono de lástimas e lamentos
O selo do destino

Incesto sombrio, por Zeus permitido
Filho e mãe, flagelo de suas almas
O mal maior

Ó céus, onde estão os olhos de Édipo
O voou dos pássaros anunciam seu desterro
“ Pronto estou, Leve-me para longe daqui”

11/02/2009

Outros Ângulos

Novos ângulos ao alcance de meus olhos
Apesar de algumas coisas nunca mudarem, hoje vejo melhor
Seu semblante me é mais belo

Não me era crível ver, e isso me devora
Todavia meu alento é você, agora e outrora

Saborearei cada instante, adiante, mais do que nunca
Pois as luzes vêm pelo caminho do norte
Tudo é claro, os deuses  anunciaram minha sorte

Contudo, domarei esse destino, pelas passagens que se abrirão
E este coração sofrido cantará uma nova canção
Uma composição que conjeturará essa eterna paixão

É um sonho, é uma realidade, não um paradoxo
A sinfonia me enviada por Dionísio
A dança da alacridade, o néctar de minha alma

Em júbilo meu aspecto me mimoseia
Nesse fulgor, nessa lucidez, o medo se esvazia
E meu silêncio agora é exclamação

Outra vez ratifico, agora vejo sua altivez
Os ventos levam as cinzas,
Assoalhando meu peito,  trazendo minha salvação

21/01/2009

Baudelaire

Poeta do mal e da heresia
A delícia dos teus escritos me aprazia
Pois a maldade de tua poesia é a sabedoria

Satanás brinda a tua oração
Aquela sórdida e bela canção
Um presente único para a danação

Nessa tarde, em silencio, o crepúsculo anuncia
O fim da imunda moral que a todos há muito guia
É a beleza, a grandeza de tua obra que se inicia

Outrora a atroz tormenta em nossa veia
Mas tu, anjo caído, chega e nos presenteia
Com tua altivez, a atitude que semeia

A tua piedade da miséria deste mundo
E a beleza rara do teu verso de sangue e imundo
Nada mais é, senão um podre amor em suplício e turvo

Tua alma é um céu sem destino e sem alento
Uma viagem conduzida pelo vento
A Luz que ilumina o noturno desta terra, deste relento

13/09/2010


Nascido para o nada

Sem um amanhã
A noite o escolheu
No rosto que poderíamos ver esperanças,
Apenas lágrimas

Poucos suportariam
O despedaçar de seu coração
Um coração que há muito morreu

Horas e dias, jogados fora
Um manto de misérias
Para cobrir seu olhar

De ergástulos a infernos do destino
Assim tem sido sua triste vida
Assim permanece  sua fatalidade

Quão longe pode a desgraça ir!
O que poderia passar por seus pensamentos?!

O mundo o esqueceu
Como canibais, arrancaram suas vísceras
E cuspiram sua cara

Lençóis de papel
Pesadelo e escuridão

Mais uma alma
Que as trevas agraciam
Mais um sorriso do demônio

Nascido para o nada

27/10/2009

Nenhum comentário:

Postar um comentário